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domingo, 17 de novembro de 2013

Três Partes;

Tentativas;

Quando acordei
Coração começou a doer
Peguei-o e coloquei-o sobre uma pedra
Com um martelo
Acertei-o
Porém de nada adiantou

Fiz uma fogueira bem grande
E nas brasas enterrei-o
Mas ele não derreteu ou ao menos
Queimou

Novamente tive uma ideia brilhante
Do décimo terceiro andar joguei-o
Logo em seguida corri lá para baixo
Com esperança de que ele tinha esbagaçado
Mas quando cheguei
Ele ainda estava palpitando de um modo frenético

Tive uma ideia nada normal
Coloquei-o sobre uma tabua
E com a faca mais amolada
Comecei a fatia-lo em finos pedaços
Novamente o ato foi em vão
As fatias agruparam-se novamente

Fiquei então de mãos atadas
Não sabia mais o que fazer
Não queria mais viver entre eles
Queria voltar para casa

Salvação;

Sentei-me na calçada
Da rua treze
Olhei para o céu, a procura de
Alguma explicação por eu ainda
Existir

Fiz uma pequena prece ao Anjo
Pedindo alguma solução

Senti então
Uma mão em meu ombro
Olhei para cima, em direção a mão
Ele estava lá
Tão radiante que me fez delirar
Levantou-me e abraçou-me
Como nunca havia feito

Senti meu mundo se desfazer
Minhas pernas amolecer
E a dor desaparecer
Fui tomada pelo calor que fluía dele
Aconcheguei-me em seus braços
E aos poucos fui entregando-me ao
Doce sono

Antes que eu caísse no sono eterno
Lembrei-me da prece que havia feito
E comecei a repeti-la até tudo acabar

“Meu Anjo guia
Mostrai-me o caminho definitivo
Não aguentarei mais esta dor que me aflige
A cada amanhecer
Oh Anjo,
Já aprendi com todos os círculos
Já é chegada da hora de partir
Venha meu Anjo,
Venha buscar-me
Para o meu ser repousar em teu colo
Não consigo mais viver em harmonia
Com os seres humanos
Tenha piedade de tua filha
A leve-me daqui
Para viver junta de ti.”

Fim do Começo;

Repetindo a prece pela terceira vez
Caiu de vez no abismo
Sentiu seu corpo levitar
Não sentia mais necessidade de respirar
Não sentia mais seu coração palpitar
Tudo que havia vivido passou em sua frente
Como uma curta metragem
No fim, só restou a canção de ninar
Que ele sempre cantará para ela
Encerrando de vez
O doce sono profundo daquela menina

E anunciando a sua chegada em casa 

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